Com uma administração instável, o clube tem mais de 200 processos judiciais pendentes.

O San Lorenzo, ícone do futebol argentino e clube querido pelo falecido Papa Francisco, enfrenta sua hora mais sombria: a justiça concedeu apenas cinco dias para quitar uma dívida de US$ 4,7 milhões (cerca de R$ 25,7 milhões) com o fundo de investimentos suíço AIS Investment Fund, sob pena de decretação de falência. A notificação, emitida pela Câmara Comercial na terça-feira (14), acelera uma crise financeira que arrasta o “Ciclón” há anos e pode paralisar suas operações.
A origem do rombo é da época da gestão do ex-presidente Marcelo Tinelli, em 2020. Para agilizar a venda do atacante Adolfo Gaich ao CSKA Moscou, o clube captou o empréstimo do fundo suíço, garantido pelos direitos econômicos da transação. O erro fatal veio quando os russos depositaram o valor diretamente no caixa do San Lorenzo, que reteve os recursos sem repassá-los ao credor – um descuido que acumulou juros e transformou o débito original de US$ 3,9 milhões em uma bola de neve judicial.
Com mais de 200 processos judiciais pendentes e uma administração instável sob o polêmico Marcelo Moretti – que assumiu em meio a protestos e perdas de 15 mil sócios –, o clube corre contra o relógio. Advogados buscam uma negociação de última hora, mas fontes como o TYC Sports indicam que apelações foram esgotadas, deixando a arrecadação emergencial como única saída viável. Uma quebra declarada ameaçaria o patrimônio, incluindo o estádio Pedro Bidegain, e até a elegibilidade em torneios, evocando o colapso do Racing nos anos 2000.
Torcedores lotam as redes com apelos por transparência, enquanto o San Lorenzo tenta manter o foco no campo. O prazo vence na sexta-feira (19), e o futebol argentino aguarda o resultado.
